Por: Juliana | 19/10/2017

A reforma previdenciária, trabalhista, terceirizações, crise na cadeia leiteira e corrupção no Brasil foram os principais motivos que levaram movimentos sindicais, sociais, estudantis para as ruas em todo o Estado de Santa Catarina nesta quarta-feira, dia 18. Na região Oeste, as manifestações ocorreram nas cidades de Chapecó, Xanxerê, Maravilha, São Miguel do Oeste. A capital Florianópolis também foi palco das mobilizações.

Os atos fazem parte da agenda organizada pelas entidades que compõem o Campo Unitário para a realização da Jornada Nacional de Luta do Campo Unitário, além da Frente Brasil Popular. A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar de Santa Catarina (FETRAF SC) se fez presente com seus coordenadores e pelos agricultores e agricultoras familiares que representa, vindos de outras cidades próximas as cidades onde teve ato.

Em Chapecó, a concentração ocorreu em frente ao prédio da Previdência Social, no centro da cidade. Além de manifestarem opinião e de pedirem pela unidade e união de forças contra as reformas do governo, o combate à corrupção e os prejuízos causados aos agricultores que trabalham com a produção de leite também marcaram o dia. Como forma de manifestar o desgosto com o baixo preço do litro pago aos produtores, mais de 100 litros de leite foram derramados em frente ao prédio.

O coordenador geral da FETRAF SC, Alexandre Bergamin, enfatizou as contradições do governo federal sobre a situação do leite. Enquanto o ministério pede a suspenção, por exemplo, da importação do leite vindo do Uruguai, o presidente afirma mantê-la. Além disso, as afirmativas de que o setor não sofre prejuízos e que basta a recuperação da economia para voltar à normalidade é considerada pela Federação e pelos agricultores um descaso absurdo e uma total falta de conhecimento sobre a cadeia produtiva brasileira. “Todos sabem que a economia do país não vai ser recuperada de uma hora para outra. O agricultor precisa de soluções urgentes, pois essa situação já se arrasta há meses e está cada vez pior. Não vamos permitir que os agricultores paguem pela situação e arquem com o descaso do governo. Exigimos principalmente a retomada urgente de medidas protetivas e de incentivo às políticas públicas que atendam os anseios do setor”, afirma o coordenador.

O ato encerrou com uma caminhada até a sede do Banco do Brasil, onde novamente foram jogados fora dezenas de litros de leite. Uma ação unitária também deve ocorrer em Brasília-DF ainda nesta semana.

Setor leiteiro

Os principais fatores que levaram à queda no preço pago ao produtor foram: importação, retração do mercado consumidor e a grande concentração da atividade leiteira, que exclui famílias da produção. Diante deste cenário, a FETRAF SC, juntamente com seus sindicatos, Confederação e entidades do Campo Unitário, prima por ações de defesa dos produtores de leite, melhores preços e a imediata ação do governo federal para formação de estoque e a suspensão da importação de leite, que no primeiro trimestre de 2017 teve aumento de 76% em relação a 2016, principalmente do Uruguai.

Entre as principais ameaças aos produtores estão: a concentração da indústria com perfil internacional com visão de comodites; a falta de controle sanitário em Santa Catarina, com o sucateamento da Cidasc e a falta de materiais para os exames de brucelose e tuberculose, a transferência de renda pelas indústrias do pequeno produtor (a base de pasto) para financiar a implantação de sistemas de confinamento, pagando valores superiores para agricultores com sistemas de Free Stall. Diante deste cenário, a FETRAF SC reivindica:

– A revisão urgente por parte do governo federal nas importações de leite, estabelecendo cláusulas de barreiras.

– A regulamentação da atividade leiteira em Santa Catarina, com uma política clara de fortalecimento da agricultura familiar e a produção de leite a base de pasto com baixo custo e melhor qualidade. Definindo política de preços, quota de produção e fomento de consumo.

– Criação de uma linha de crédito para as cooperativas e agroindústrias de pequeno e médio porte para não se desfazer de capital e honrar com seus compromissos junto aos agricultores.

– Política de incentivo fiscal às pequenas cooperativas e agroindústrias familiares do setor. Atualmente o estado concede aos grandes laticínios 254 milhões por ano com isenções fiscais. E as pequenas agroindústrias familiares quanto?

– A retomada imediata por parte da Conab das políticas institucionais de compra de leite para estoque regulador.

– Que os pequenos produtores tenham a garantia que seu trabalho não será medido pela quantidade e sim pela qualidade do leite produzido.

– Com relação ao Orçamento do governo federal para 2018, o cenário se mostra ainda mais preocupante que 2017. Somente para a Reforma Agrária, o corte de recursos será de quase 85%: de R$85.403.482 (2017) para R$12.636.521.

 

 

Principais pautas de luta do Campo Unitário

 

– Contra os retrocessos nas políticas públicas;

– Contra a reforma da previdência;

– Contra a redução do orçamento para o campo;

– Contra o saque aos nossos minérios (Medidas Provisórias 789, 790 e 791);

– Contra a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN nº 3239) que questiona o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades quilombolas, conforme estabelecido pelo Decreto nº 4.887/2003.

– Por mais recursos para a Reforma Agrária e para as políticas da agricultura familiar, mantendo o que temos e ampliando o que precisa ser ampliado.

 

Informações da Assessoria da Fetraf