Por: Juliana | 1 mês atrás

Os conceitos sobre empreendedorismo mostram que a palavra está relacionada com a questão de inovação, na qual há determinado objetivo de se criar algo dentro de um setor ou produzir algo novo. Ser empreendedor significa, acima de tudo, produzir novas ideias por meio da harmonia entre criatividade e imaginação. Embora seja uma iniciativa muito vinculada ao universo dos adultos, crianças vêm mostrando que empreender na infância pode ser muito produtivo e que isso trará bons reflexos para o futuro.

A constatação é percebida por meio dos resultados do Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), que na região Oeste foi implementada em 75 escolas de 26 municípios para mais de 14.800 alunos do ensino fundamental. O projeto, desenvolvido pelo Sebrae/SC, é implantado nas instituições de ensino através de parcerias entre Poderes Públicos Municipais e Estaduais. O objetivo é disseminar a cultura do empreendedorismo desde o início da vida escolar por meio de práticas de aprendizagem que consideram a autonomia, além de favorecer o desenvolvimento de atributos e atitudes necessários para a gestão da própria vida.

As atividades iniciam com capacitação dos professores, seguem em sala com os alunos e encerram com uma feira de empreendedorismo, onde os estudantes expõem e comercializam os produtos produzidos em vários segmentos como, por exemplo, gastronomia, plantas medicinais, brinquedos ecológicos, entre outros. Na última semana, foram realizadas exposições de 10 escolas municipais de Xanxerê: EMEB Nossa Senhora Aparecida, EMEB Cirilo Dal’ Oglio, EMEB Pequeno Trabalhador, EMEB João da Cruz e Souza, EMEB São Jorge, EMEB Monteiro Lobato, EMEB Pequeno Príncipe, EMEB Nery Barbosa Giachini, EMEB Vista Alegre e EMEB Paul Harris.

A secretária municipal de educação de Xanxerê, Cláudia Favero, ficou encantada com o projeto. “Adorei! Houve envolvimento dos professores, alunos e pais. O básico eles têm. Temos que inovar e esse projeto vêm de encontro ao que precisa ser trabalhado com as crianças. O tema é pertinente e só temos a agradecer pela oportunidade de excelência. De acordo com depoimento dos pais até mesmo as atitudes dos alunos em casa mudaram. Estão mais conscientes em relação aos desperdícios e sobre a importância da economia”.

A professora da Escola Cirilo Dal’ Oglio, Salete Sberce Toffolo, destacou que os resultados do JEPP, tanto durante as atividades em sala, quanto na feira foram maravilhosos. “Foi gratificante! Percebemos a empolgação dos alunos e a importância que os pais deram à iniciativa. Trabalhamos o livro Temperos naturais com os estudantes do 2º ano. Os diferenciais foram a produção de cebolas em conserva, a confecção do rótulo com logomarca e especificações como data de fabricação na embalagem, entre outras. Também compramos orégano e eles produziram rótulo para colocar em um pote personalizado. O resultado foi um sucesso!”.

A diretora da escola, Simone H.S.Dalalibera, completa que a iniciativa surgiu para contribuir e movimentar a escola como um todo. Houve envolvimento da direção escolar, professores, alunos, pais e demais integrantes da comunidade. Todos participaram e buscaram fazer o melhor durante a primeira experiência com o JEPP. Avaliado como um momento positivo deixa-nos emocionados em perceber os alunos empolgados e comprometidos com o evento. Muito gratificante, pois observamos produzirem suas próprias mercadorias para a feira, além de ouvir o relato dos pais em relação às expectativas do filho para o dia da feira. Ver o sorriso e a alegria de cada um foi o melhor resultado. A educação como um todo precisa deste impulso e desafio, muitas vezes, para que nós profissionais da área possamos constatar que devemos fazer a diferença.

Itacir Mascarello e Fabiana Wuick Maria Mascarello são pais do Aluno Kayson Emanuel, do 3º ano da EMEB Cirilo Dall’ Oglio contam que puderam vivenciar junto com o filho durante o período de execução do projeto uma experiência inovadora e incentivadora. “Passamos, a partir do relato dele sobre as aulas, a juntar materiais e construção dos brinquedos sugeridos por ele. Nada mais foi jogado fora, pois tudo poderia ser útil. O JEPP passou a ser a matéria esperada da semana.  Durante os dias que antecederam a feira, os comentários em casa passaram a ter como base a organização do evento, formas para fazer a feira como qualidade, como chamar as pessoas para participar, as funções de cada um. Enfim, consideramos o projeto do Sebrae como algo extremamente positivo na formação de nosso filho, pois lhe proporcionou possibilidades de ter iniciativa e atitudes, principalmente nos trabalhos em grupo”.

A gestora da Escola Nossa Senhora Aparecida, Eliane Muller, também aprovou a iniciativa. Segundo ela, o projeto possibilitou uma nova forma de trabalho para professores e alunos: dinâmica, lúdica, abrangente. “A empolgação dos alunos a cada aula era contagiante e os resultados superaram as expectativas. Eles adoraram participar e ver os seus trabalhos sendo apreciados por todos”, resume.

Na visão da professora do 5º ano, também da Escola Nossa Senhora Aparecida, Patrícia Prudencio, o trabalho foi válido porque além de incentivar atuação em equipe, possibilitou pesquisa, envolvimento da família e mudanças de comportamento em questões como: respeito ao ritmo do colega, percepção de que são capazes e que poderiam trabalhar para obter resultados em prol de todos. “Trabalhamos os conteúdos do quarto bimestre com foco para propaganda, importância da honestidade, cidadania, números decimais, entre outros. Foi bem interessante obervar o comprometimento deles e o envolvimento da família. Eles conseguiram vender o produto do espaço gastronômico e aprenderam sobre higiene, economia, compra, venda e atendimento ao cliente. Fizemos o fechamento do nosso trabalho e a felicidade  foi grande. Vamos utilizar o dinheiro do lucro para uma confraternização com pizza e refrigerante”, finaliza.

Para a consultora credenciada ao Sebrae/SC, mestre em Educação e responsável por capacitar os professores para implantação do projeto, Odilene Ozelame, o JEPP possibilitou que os alunos empreendedores pudessem compartilhar com familiares, convidados e comunidade suas inovações. “Produtos com ótimo acabamento, bem pensados, planejados e atrativos aos olhos dos visitantes. Escolas em festa, muita vida, energia e encantamento.Poder de persuasão elevado, autoconfiantes e com objetivo definido. Professores por perto, atentos e mediando caso fosse preciso. Nossos jovens empreendedores mostraram o potencial que possuem, exploraram cada oportunidade e transformaram as ideias em resultados positivos”.

O coordenador regional oeste do Sebrae/SC, Enio Albérto Parmeggiani, destaca a importância das parcerias e do engajamento dos professores para o sucesso do projeto e menciona que o verdadeiro empreendedor tem comportamentos que não são aplicados somente para abrir um negócio. “É o que chamamos de intraempreendedorismo: pessoas proativas, que criam e desenvolvem ideias, possuem capacidade diferenciada de analisar cenários e de encontrar oportunidades. Empreender é comportamento, atitude e resultado”.